sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Volta dos tristes

 Não vou escrever muito, mas vou ter que contar.

Hoje decidi dar " a volta dos tristes" como alguém lhes chamou um dia, uma volta que já estava na agenda já á alguns anos.

A ideia é ir a Espanha ver algumas aves que por lá se fixaram.

Vamos arrancar agora (04:30) e a primeira paragem será no "Mirador de Aves SGHN Eremita", chegamos por volta das 09:00 locais e tínhamos na esperança que andasse por ali alguma Geronticus eremita, mas sem sucesso.










Andamos uns 5 Km em direção a Tarifa e nos primeiros campos verdes avistámos uma meia dúzia delas a voar e um pouco mais á frente lá demos com duas um pouco mais perto.



A primeira das cinco aves que nos proponhamos a ver estava feito.

Seguimos então até ao parque de estacionamento em Tarifa onde reside o Pycnonotus barbatus, apesar da ansiedade tomar conta de mim na primeira meia hora, não foi preciso muito mais para o Engole-malaguetas aparecer primeiro tímido num arbusto e depois expor-se completamente num tronco de uma arvore olhando para nós demonstrando que está habituado aos seres humanos.



Seguida fomos para Algeciras, aqui estava a ave que mais queria ver nesta trip, a emberiza sahari, podia falhar todas menos esta.

Estacionamos o carro num estacionamento junto ao porto de Algeciras onde nos apareceu logo um "estacionador" a pedir dinheiro, de seguida caminhamos para o ponto (tinha dois pontos) onde costumavam ser observadas as escrevedeiras e se já nos tínhamos assustado um pouco com os arrumadores então ali confesso que o medo se apoderou um pouco de nós, pois as ruas apertadas com casas abandonadas, lixo pelo chão e certas pessoas que passavam faziam lembrar as ruas das favelas Brasileiras que vemos na TV.


Mas o querer tanto ver esta espécie fez com que não arredasse pé de lá nas três horas seguintes, mas de escrevedeira nada.

Decidimos dar uma salto a Gibraltar para tentarmos a Perdiz (Alectoris barbara) e depois de duas horas na fila para entrarmos fiquei a saber que a Sofia se tinha esquecido do Cartão de cidadão, não havia solução e demos meia volta e voltamos para a escrevedeira onde tivemos mais duas horas sem sucesso.

O cansaço era muito e decidimos ir dormir a Tarifa.

De manhã mal nasceu o dia já estávamos no primeiro ponto da sahari e passado uns dez minutos aparece um espanhol que nos vê a olhar para o cimo das casas, timidamente cheguei junto dele (para me desculpar) e disse que andava á procura de uma ave que por ali reside e ao mesmo tempo mostro-lhe uma foto que abri na net.

Ainda estava o senhor a dizer-me que ela costuma aparecer por cima de uma casa branca abandonada e já eu gritava de alegria para a minha mulher:

-está aqui...está aqui, não ouves é ela, é ela...

depois de tanto ouvir o call desta espécie tinha a certeza do que ouvia e a pouco e pouco o som vinha mais perto até aparecer, não um, mas sim dois indivíduos.



Que alegria!!!

Sem hipótese de irmos ver a perdiz, descemos para o carro e paramos não muito longe dali para tomarmos o pequeno almoço comecei a procurar o ponto da Spilopelia senegalensis que ficava a caminho de casa e  vi uma mensagem no grupo Algarve birders do WhatsApp e quando li "Red fot na Baleeira" só posso dizer que saltei para dentro do carro e só parei em Sagres quatro horas e meia depois com dez minutos perdidos em Sevilha perdido.

Foi chegar e malhar.



Que fim-de-semana

Para  a primeira metade do ano que vêm fica a promessa de voltar a Cadiz.

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